BLOGGER TEMPLATES AND TWITTER BACKGROUNDS

terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Não sei quem sou.

Não sei quem sou. Talvez seja apenas isso, alguém que tenta saber quem é. Talvez seja pessoa entre isso. Um ser com algo mais do que um mero nome. Um vulto com mais certezas. Eu.


Ou talvez nunca venha a ser ninguém. Sempre me disseram que o mundo era um lugar complexo, completo-o:

- «É um labirinto quando, para além de termos de viver como uma peça de um puzzle demasiadamente abstracto para ser humanamente possível montar, não sabemos o que somos, nem que posição ocupamos nesse mesmo puzzle».


Não sei quem sou. Talvez o sentido esteja no incógnito dessa ignorância. Um sentido às voltas de coisa nenhuma. Um dos que só é porque não pára. Sim, porque ele não pode parar. Sem si, não haveria ignorância, sem ignorância o incógnito perder-se-ia revelando quem sou, e, em vez de ser apenas um ser que se desconhece, talvez as coisas pudessem ficar verdadeiramente negras quando, para além de descobrir quem era, pudesse ficar a saber que não era mais do que uma alma triste.


Há coisas complexas, como o mundo, dizia alguém que já não me lembro quem fosse. Apetece-me fingir que sei quem sou...

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Monólogo da revolta de uma coisa relativamente a uma outra, que lhe é diferente.















Às vezes apetece-me mandar o mundo à merda. Não de um jeito qualquer. Educadamente. Assim não poderiam, se quisessem, ofender as minhas origens. Às vezes apetece-me mandar o mundo, acompanhadamente à merda. Afligia-me se ele fosse sozinho…


Abstracção. Tentem respirar, algures entre uma atmosfera imunda, uma partícula de oxigénio purificada. Ainda que não saibam qual, saberão sempre que uma das porções de ar está inquinada.


Insanidade. Tentem ensinar uma sarjeta. Impossível. Todas elas acolhem, sem selecção, toda a espécie de muco. De fezes… Gosto de fezes. Especialmente das enroladas. Lembram-me espirais. Linhas contínuas e arbitrariamente encurvadas, que se mostram como são, e vivem para sempre sem artificialidade.


Reformulo. Às vezes apetece-me mandar, acompanhadamente, o mundo para um lugar mais feio do que fezes. [Fezes podem ser obras de arte originais, pessoas não.] E de mandar essas pessoas para um sítio sem ar, esse metâmero precioso e que, perigosamente, permite emancipar distinção.


Às vezes mando-as para esse lugar. Olho-as e falo-lhes, sem que estas se apercebam. Sorriem-me frequentemente quando o faço. Eu também. Estúpidas, elas fazem-no sem saberem porquê. Lúcido, aproveito para economizar raciocínios. Pois sei, no fim de contas, que elas não sabem o motivo pelo qual me ri-o da cara delas, ou se me ri-o efectivamente delas. E no fim, ainda pensam que sou um tipo simpático.


Nem todos os tipos que nos riem sem motivo são simpáticos. Ou são estúpidos, porque não sabem do que riem, ou, e para lá do seu riso vulgar, comummente entendido também por simpatia quando a sua origem não consegue ser fielmente explicada, são anónimos comediantes que, confortavelmente sentados no cadeirão metafórico do seu silêncio, servem a plateia voraz que jaz sedenta de escárnio, dentro deles.


Às vezes apetece-me mandar o mundo para uma prisão. Mas quase sempre, sou eu quem acaba preso. Não numa prisão, que isso seria poder demais, mas antes a uma vontade [apenas]. [Falácia]. Enquanto houver vontade, jamais um [apenas] será depauperado quando, para além de estar cravado à sua primitiva forma de advérbio, for, como neste caso, reaproveitado para englobar uma cinemática forma de prestar adjectivação a um substantivo. Se assim fosse, seria uma tragédia, e, sinal que o meu desejo fora cumprido igualmente. Não é que essa tragédia fosse algo pejorativo para mim, mas seria, segundo os Rogerianos, humanamente injusto para o resto…


Muito bem, fiquei convencido. Talvez deva reunir esforços no sentido de controlar os meus impulsos pois, e, no fim de contas, ainda há instantes cheguei à conclusão que todos eles, são actos que nos empobrecem.


sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Excerto de uma obra sem data de fim previsto ou certo.


António Esperança sempre tivera azar nas relações, era vulgar acabar por sair corno delas. Ou porque era demasiadamente calado, ou demasiadamente falador, ou demasiadamente bonito, ou demasiadamente carinhoso…

Havia sempre um “ou” que assemelhava uma parceira antiga a outra e, uma razão presente, em todas as suas relações, que o acabava por transformar num namorado incapaz. Uma vez, uma delas chegou mesmo a proferir que ele era demasiadamente perfeito.

Para António aquilo soava sempre a algo disparatado. Uma mulher acabar uma relação porque o namorado é incorrigivelmente perfeito? Nunca lhe passaria pela cabeça…

Motivos bem mais fundamentados, teria ele, se quisesse acabar com algumas delas. As flatulências nauseantes de Diana, os arrotos descontextualizados de Dalila, os sovacos florestados de Teresa…

Uma vez, chegou mesmo perto do vómito, quando deu entrada na casa de banho, aflito para urinar. Depois de abrir o tampão da sanita, a visão caótica e assustadora de um cagalhão desfragmentado, boiando à superfície de um oceano castanho. Por mais que tentasse mudar as atitudes emporcalhadas de Paula, ela sempre o surpreendia com algo ainda mais criativo e de uma nojice avassaladora.

Mas não foi ela a mais extravagante. António Esperança jamais esquecerá o chulé de Cassandra. Tinha aquele estranho hábito de comer descalça ainda por cima. Talvez por isso ele tenha comido fora tantas vezes durante o período que durou aquela relação, mais vezes do que em qualquer outra fase da sua vida.

Além disso, Cassandra era detentora do hálito mais horrendo. Por vezes, duas singelas letras proferidas pela manhã, um breve “oi”, eram o suficiente para deixá-lo desconcertado o resto do dia. Não durou muito tempo com ela, é certo, mas enquanto durou foi um pavor. Foi das poucas que o deixou feliz quando o confrontou com a ideia de que uma relação entre ambos já não faria sentido.

(...)

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Se...


Se o açúcar fosse sal

De incêndio

E água doce de fogo,

Todas as tolices

Eram manteiga derretida

Em cima de um pão

De loucura, servido

Com vinho de azeite.

Se as tardes fossem cubos

De ausência

Penduradas na calamidade

De um circulo esquecido,

Todo o absurdo

Seria de um vazio

Inexistente como a chuva

De um capítulo

Escrito numa folha rasgada.

Se o peixe fosse carne

De sede

E vontade de nada,

Tudo era um fantástico

Inimaginável de um

Só sentido,

O mundo seria lindo

E eu…

Eu seria feliz…



sexta-feira, 23 de Outubro de 2009


De entre, está quarta-feira

Do mundo.

Parte distância do refém.

De mais a longe idade,

A tranquilidade das ruas.

Seu, por grave, um caminho.

E em exército, ambos de

Frequentados, ao não guerra.

Vê pleno, tempo e hora.

- Que vês Mendes?

Longe da capital, recorda

Helicópteros na costa.

- Acabou…


sábado, 3 de Outubro de 2009


Não há mais tento no que tento, do que o tento sem causa desse tento. Padeço. O amor é mesmo uma coisa desfalecida. A frustração, uma lâmina que divide a consciência em duas partes, a insensata e a esquecida. Afinal, o mundo é sempre igual. Não há mais dizer no que digo, do que o que digo sem causa desse dizer. Perco-me. A vida é perpetuamente sólida. Os seus intervalos, líquidos que se condensam e que retornam apenas quando querem. Afinal o arbítrio é sede do incógnito.

As pessoas são todas iguais. São como pontos finais que encerram frases de um livro interminável. De um livro sem histórias dentro da História. De um livro sem capa ou folhas, de um livro apenas. Aquele que se escreve num encéfalo que o destrói progressivamente, à medida que o tempo passa. Um livro sem tempo, ou tento, ou dizer. Um dos que se perdem após um primeiro copo, copo que nunca é só o primeiro. Um dos muitos livros que fingimos existirem.

Às vezes apetece-me estar calado. O silêncio pode ser, em inúmeras ocasiões, o sofrimento dos pobres. Às vezes apetece-me estar calado em mim mesmo. Deixar que a ignorância me tome, só para sentir que sou alguém interessante. Só para me esquecer dos pontos finais, das histórias minúsculas ou maiúsculas, dos livros que não existem. Para me esquecer que a razão é um castigo, que o silêncio é um cretino e, a frustração, uma realidade que não posso deturpar…

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Louco.



Tenho coisas na cabeça,
Tenho a cabeça vazia.
Milhares de cópias que se
Propagam, demolindo
Minha razão.
Num plágio inocente
E culpado,
Desejado e repulsivo,
Consciente e involuntário.
E de entre o que está
E que eu sei que não sei
Ao certo que seja,
Está um louco que sou eu
Ou uma cópia de um
Outro louco parecido
Que não se assume.
Conversa sozinho.
Não sei o que diz ou,
Finjo não saber.
Afinal o que ele fala
Pode ser igual ao que eu digo
E, o louco, já não seria
Algo mais do que um
Ser sem sentido.
Tenho coisas na cabeça,
Tenho a cabeça vazia.
E enquanto caminho confuso
Sou um ser que não eu
Nem louco, nem outra
Coisa senão esta coisa vazia…