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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Não sei quem sou.

Não sei quem sou. Talvez seja apenas isso, alguém que tenta saber quem é. Talvez seja pessoa entre isso. Um ser com algo mais do que um mero nome. Um vulto com mais certezas. Eu.


Ou talvez nunca venha a ser ninguém. Sempre me disseram que o mundo era um lugar complexo, completo-o:

- «É um labirinto quando, para além de termos de viver como uma peça de um puzzle demasiadamente abstracto para ser humanamente possível montar, não sabemos o que somos, nem que posição ocupamos nesse mesmo puzzle».


Não sei quem sou. Talvez o sentido esteja no incógnito dessa ignorância. Um sentido às voltas de coisa nenhuma. Um dos que só é porque não pára. Sim, porque ele não pode parar. Sem si, não haveria ignorância, sem ignorância o incógnito perder-se-ia revelando quem sou, e, em vez de ser apenas um ser que se desconhece, talvez as coisas pudessem ficar verdadeiramente negras quando, para além de descobrir quem era, pudesse ficar a saber que não era mais do que uma alma triste.


Há coisas complexas, como o mundo, dizia alguém que já não me lembro quem fosse. Apetece-me fingir que sei quem sou...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Monólogo da revolta de uma coisa relativamente a uma outra, que lhe é diferente.















Às vezes apetece-me mandar o mundo à merda. Não de um jeito qualquer. Educadamente. Assim não poderiam, se quisessem, ofender as minhas origens. Às vezes apetece-me mandar o mundo, acompanhadamente à merda. Afligia-me se ele fosse sozinho…


Abstracção. Tentem respirar, algures entre uma atmosfera imunda, uma partícula de oxigénio purificada. Ainda que não saibam qual, saberão sempre que uma das porções de ar está inquinada.


Insanidade. Tentem ensinar uma sarjeta. Impossível. Todas elas acolhem, sem selecção, toda a espécie de muco. De fezes… Gosto de fezes. Especialmente das enroladas. Lembram-me espirais. Linhas contínuas e arbitrariamente encurvadas, que se mostram como são, e vivem para sempre sem artificialidade.


Reformulo. Às vezes apetece-me mandar, acompanhadamente, o mundo para um lugar mais feio do que fezes. [Fezes podem ser obras de arte originais, pessoas não.] E de mandar essas pessoas para um sítio sem ar, esse metâmero precioso e que, perigosamente, permite emancipar distinção.


Às vezes mando-as para esse lugar. Olho-as e falo-lhes, sem que estas se apercebam. Sorriem-me frequentemente quando o faço. Eu também. Estúpidas, elas fazem-no sem saberem porquê. Lúcido, aproveito para economizar raciocínios. Pois sei, no fim de contas, que elas não sabem o motivo pelo qual me ri-o da cara delas, ou se me ri-o efectivamente delas. E no fim, ainda pensam que sou um tipo simpático.


Nem todos os tipos que nos riem sem motivo são simpáticos. Ou são estúpidos, porque não sabem do que riem, ou, e para lá do seu riso vulgar, comummente entendido também por simpatia quando a sua origem não consegue ser fielmente explicada, são anónimos comediantes que, confortavelmente sentados no cadeirão metafórico do seu silêncio, servem a plateia voraz que jaz sedenta de escárnio, dentro deles.


Às vezes apetece-me mandar o mundo para uma prisão. Mas quase sempre, sou eu quem acaba preso. Não numa prisão, que isso seria poder demais, mas antes a uma vontade [apenas]. [Falácia]. Enquanto houver vontade, jamais um [apenas] será depauperado quando, para além de estar cravado à sua primitiva forma de advérbio, for, como neste caso, reaproveitado para englobar uma cinemática forma de prestar adjectivação a um substantivo. Se assim fosse, seria uma tragédia, e, sinal que o meu desejo fora cumprido igualmente. Não é que essa tragédia fosse algo pejorativo para mim, mas seria, segundo os Rogerianos, humanamente injusto para o resto…


Muito bem, fiquei convencido. Talvez deva reunir esforços no sentido de controlar os meus impulsos pois, e, no fim de contas, ainda há instantes cheguei à conclusão que todos eles, são actos que nos empobrecem.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Excerto de uma obra sem data de fim previsto ou certo.


António Esperança sempre tivera azar nas relações, era vulgar acabar por sair corno delas. Ou porque era demasiadamente calado, ou demasiadamente falador, ou demasiadamente bonito, ou demasiadamente carinhoso…

Havia sempre um “ou” que assemelhava uma parceira antiga a outra e, uma razão presente, em todas as suas relações, que o acabava por transformar num namorado incapaz. Uma vez, uma delas chegou mesmo a proferir que ele era demasiadamente perfeito.

Para António aquilo soava sempre a algo disparatado. Uma mulher acabar uma relação porque o namorado é incorrigivelmente perfeito? Nunca lhe passaria pela cabeça…

Motivos bem mais fundamentados, teria ele, se quisesse acabar com algumas delas. As flatulências nauseantes de Diana, os arrotos descontextualizados de Dalila, os sovacos florestados de Teresa…

Uma vez, chegou mesmo perto do vómito, quando deu entrada na casa de banho, aflito para urinar. Depois de abrir o tampão da sanita, a visão caótica e assustadora de um cagalhão desfragmentado, boiando à superfície de um oceano castanho. Por mais que tentasse mudar as atitudes emporcalhadas de Paula, ela sempre o surpreendia com algo ainda mais criativo e de uma nojice avassaladora.

Mas não foi ela a mais extravagante. António Esperança jamais esquecerá o chulé de Cassandra. Tinha aquele estranho hábito de comer descalça ainda por cima. Talvez por isso ele tenha comido fora tantas vezes durante o período que durou aquela relação, mais vezes do que em qualquer outra fase da sua vida.

Além disso, Cassandra era detentora do hálito mais horrendo. Por vezes, duas singelas letras proferidas pela manhã, um breve “oi”, eram o suficiente para deixá-lo desconcertado o resto do dia. Não durou muito tempo com ela, é certo, mas enquanto durou foi um pavor. Foi das poucas que o deixou feliz quando o confrontou com a ideia de que uma relação entre ambos já não faria sentido.

(...)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Se...


Se o açúcar fosse sal

De incêndio

E água doce de fogo,

Todas as tolices

Eram manteiga derretida

Em cima de um pão

De loucura, servido

Com vinho de azeite.

Se as tardes fossem cubos

De ausência

Penduradas na calamidade

De um circulo esquecido,

Todo o absurdo

Seria de um vazio

Inexistente como a chuva

De um capítulo

Escrito numa folha rasgada.

Se o peixe fosse carne

De sede

E vontade de nada,

Tudo era um fantástico

Inimaginável de um

Só sentido,

O mundo seria lindo

E eu…

Eu seria feliz…



sexta-feira, 23 de outubro de 2009


De entre, está quarta-feira

Do mundo.

Parte distância do refém.

De mais a longe idade,

A tranquilidade das ruas.

Seu, por grave, um caminho.

E em exército, ambos de

Frequentados, ao não guerra.

Vê pleno, tempo e hora.

- Que vês Mendes?

Longe da capital, recorda

Helicópteros na costa.

- Acabou…


sábado, 3 de outubro de 2009


Não há mais tento no que tento, do que o tento sem causa desse tento. Padeço. O amor é mesmo uma coisa desfalecida. A frustração, uma lâmina que divide a consciência em duas partes, a insensata e a esquecida. Afinal, o mundo é sempre igual. Não há mais dizer no que digo, do que o que digo sem causa desse dizer. Perco-me. A vida é perpetuamente sólida. Os seus intervalos, líquidos que se condensam e que retornam apenas quando querem. Afinal o arbítrio é sede do incógnito.

As pessoas são todas iguais. São como pontos finais que encerram frases de um livro interminável. De um livro sem histórias dentro da História. De um livro sem capa ou folhas, de um livro apenas. Aquele que se escreve num encéfalo que o destrói progressivamente, à medida que o tempo passa. Um livro sem tempo, ou tento, ou dizer. Um dos que se perdem após um primeiro copo, copo que nunca é só o primeiro. Um dos muitos livros que fingimos existirem.

Às vezes apetece-me estar calado. O silêncio pode ser, em inúmeras ocasiões, o sofrimento dos pobres. Às vezes apetece-me estar calado em mim mesmo. Deixar que a ignorância me tome, só para sentir que sou alguém interessante. Só para me esquecer dos pontos finais, das histórias minúsculas ou maiúsculas, dos livros que não existem. Para me esquecer que a razão é um castigo, que o silêncio é um cretino e, a frustração, uma realidade que não posso deturpar…

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Louco.



Tenho coisas na cabeça,
Tenho a cabeça vazia.
Milhares de cópias que se
Propagam, demolindo
Minha razão.
Num plágio inocente
E culpado,
Desejado e repulsivo,
Consciente e involuntário.
E de entre o que está
E que eu sei que não sei
Ao certo que seja,
Está um louco que sou eu
Ou uma cópia de um
Outro louco parecido
Que não se assume.
Conversa sozinho.
Não sei o que diz ou,
Finjo não saber.
Afinal o que ele fala
Pode ser igual ao que eu digo
E, o louco, já não seria
Algo mais do que um
Ser sem sentido.
Tenho coisas na cabeça,
Tenho a cabeça vazia.
E enquanto caminho confuso
Sou um ser que não eu
Nem louco, nem outra
Coisa senão esta coisa vazia…

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Vou dormir.


Vou dormir. Talvez seja melhor que carimbar palavras que entristecem à medida em que lhes acrescento mais uma letra.

Vou dormir. Talvez seja a coisa mais poética neste momento.

Vou dormir. Talvez amanhã, quem sabe, acorde mais lúcido.

Vou dormir e, nesse enquanto, pintar os sonhos com esperança. Mesmo que amanhã não me lembre dos sonhos ou a esperança seja derrotada antes do final de outro dia.

Vou dormir. Porque hoje, essa é a minha única certeza…

domingo, 13 de setembro de 2009

Uma onda sem retorno.


E meio a medo, ela olhou-me nos olhos e perguntou-me: «O que é o amor?»

«Céus…», pensei. De todas as perguntas possíveis ela escolhera talvez a mais complicada. O que é o amor… Fiz uma regressão naquele momento, memórias enchiam-me por dentro enquanto que, surpreso por fora, o meu corpo não conseguia reagir tão imediatamente quanto fora a convicção daquela pergunta.

«O que é o amor…» Eu queria ser sincero, mas para a genuinidade da minha resposta ganhar forma teria de me conseguir desprender da profunda tristeza que nascera comigo e me acompanhara ao longo de toda a vida, acentuando-se em etapas onde realmente fazia todo o sentido que essa agonia se estendesse através da minha figura.

«O que é o amor…» Quando amámos demasiadas pessoas torna-se um sentimento perturbador, um conceito vulgarizado pela nossa necessidade de atenuar a dor que as separações nos causam.

«O que é o amor…»

Há muito que não falava disso com alguém e, estar diante daqueles jovens, puros e ternos olhos azuis, falando de um sentimento que para mim sempre fora tão fúnebre, era como estar envolto numa estranha nudez, trauteando mágoas a alguém que por não ser eu, me fazia sentir esquisito. Mas enchi-me de coragem, olhei os seus olhos de oceano interminável e respondi.

«Talvez sejam três, as formas de amor… Uma primeira, quando desconhecemos a pessoa e apenas cedemos à química que se abate sobre dois seres humanos que decidiram comunicar. Uma segunda, que é quando ainda sentimos momentos semelhantes ao dessa primeira vez mas ficamos menos tolerantes perante os instantes em que as dúvidas, a rotina ou os conflitos entorpecem essa química e, uma última, talvez a mais sentida das formas de amar, que é quando compreendemos finalmente que deveríamos ter abraçado sempre essa química e não deixá-la escapar aos poucos, até ficarmos sós e a pensar nas coisas boas que vivemos ao lado da pessoa que amámos.»

Por momentos, pensei que os seus olhos eram mesmo o oceano. Por momentos nada mais se ouviu senão o barulho do seu leve coração, estilhaçava-se dentro do seu peito. Por momentos, eu soube que alguém me amava.

Pouco depois, ela afastou-se. Nada disse. Apenas se foi embora, como uma onda que nos cumprimenta brevemente e regressa sem retorno ao infinito de onde pertence…



segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O último encontro.


Sinto-me frágil. Não é fácil escrevermos quando estamos frágeis. Apenas o eco das tuas palavras na minha cabeça. Apenas a ressonância que te neguei naquele cerrado mês de Agosto, quando pensando que já te tinha esquecido, me fizeste perder novamente de mim com as tuas dúvidas ternas e a tua confiança acutilante.


Estavas sentada numa cadeira, olhando-me nos olhos e te distanciando deles. Num estar de corpo presente, num estar de querer somente confirmar quem de nós dois era o mais confiante. Talvez fosses tu. Talvez sejas sempre. Sempre pequei por pensar em demasia…

«Ouvi dizer que os escritores passam por um período difícil quando sofrem por amor», disseste, em tons do que me pareceu ser orgulho.


«Não sei… Mentiria se não te dissesse que tive um pequeno bloqueio após nos separarmos, mas foi efémero e saudável pois catapultou-me para outra realidade, ajudando-me a construir coisas novas e diferentes.» Respondi, completamente ciente de que nada daquilo era verdade, uma verdade que só era tangível na profundidade de mim mesmo, onde a mente perde o controlo dos sentidos e a apatia nos engole a alma.


Sim, os escritores ficam paralisados quando sofrem por amor. E ficam amedrontados pelo futuro enquanto aguardam sem vontade por ele, escondidos num lugar onde o mundo se esvai em cinzas antes do fogo ter mostrado a sua ira. Sim, os escritores revivem o passado, dentro de si próprios, de hora a hora, cronometrados por um relógio cruel chamado de saudade. Sim, eles sofrem e choram o seu sofrimento. Eles camuflam-se na escuridão da noite, fiéis à convicção de que desse modo, a sua tristeza não será vista.


Eles passam por aquilo a que tu chamaste de "período difícil" e que eu, como escritor do meu próprio destino, não tive a bravura necessária para o admitir…

terça-feira, 1 de setembro de 2009


Conto os dias,
São pêndulos
De cristal quebrando
Em noites paradas
E sombrias.

A lua
Pressiona-me os ombros.
As árvores
Mandam-me embora,
Num cessar de folhas
Velhas e feias.
O chão
Gela-me o corpo
Com a ajuda do vento.

Conto os dias,
São palavras sem letras,
Sangue sem feridas,
Frases sem ti.

E no céu
(Porque não há para
Onde mais olhar
Em noites onde contabilizamos dias),
Descubro as nuvens.
E antes que a lua desabe sobre mim,
Que as árvores fiquem nuas ou,
Que o clima me devore
Os restos,
Liberto-as transparentes dos meus olhos.

Conto os dias,
Talvez um dia os deixe de contar…
Quem sabe, num dia
Em que a lua me convide a voar
Para um sitio onde raízes
Se transformem
Em árvores imortais,
Auxiliadas pelo brilho do
Sol e a força do vento
E, onde o tempo, me aqueça
Esta permanente criança
Que é o coração…

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

É o demónio.




É o demónio
Quem nos provoca
E nos insiste em colocar
Num frente a frente
Que é cegueira e ódio
E jogo de saliva
Desmedida e invisível.

Negas-me o toque
Com um desvio
Inevitável como
A incapacidade
De me apagares
Mentalmente.
A mentira, é tua.
A sua sombra,
Uma garantia
Para mim,
De que ainda
Não partiste.
De que ainda não
Te esqueceste da
Espiral controvérsia
Ateada em noites
De um silêncio
Interrompido pelo
Barulho dos nossos
Corpos cruzando
Dor com prazer.

É o demónio
Quem me provoca
E nos insiste em colocar
Num pesadelo que é sonho
De engano e verdade
De uma ilusão levada
Pelo vento de um caos
Chamado de pensamento.
Sim,
É ele
Quem escreve
Esta união deturpada
Nas nossas cabeças
E se diverte
Obrigando-nos
A descodificá-la.

É ele quem nos mutila
Nas horas mortas,
Enchendo-nos de
Lembranças imorais.
E que nos tenta,
Ao cair de cada noite
Solitária, com
A sua tirana
Vontade de nos
Voltar a ver
Insanos,
Ordinários
E descontroladamente
Inteiros…

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Não me consigo exprimir


Não me consigo exprimir.

O meu coração é um jardim
Onde rosas choram lágrimas
De vidro que ferem espinhos.

A minha mente, uma cratera
Onde o vento impera
Cantando na solidão
De uma destruição concretizada.

E todo o meu corpo
É como prata fundida,
Reflectindo o céu.

Sento-me,
Inclino-me
E deixo que a
Minha sombra
Se espalhe pelo chão
De um campo de
Cravos negros.

Clamo.
Não sei porquê,
Não sei de quê.
Talvez apenas
Porque o que me consome
Por dentro queira sair.
Porque o que me fere,
Deseje acabar de arder
Em território neutro.

Porque o meu coração foi um jardim
Onde rosas se protegiam
Das lágrimas, com espinhos.

A minha mente,
Um bloco de conhecimento
Estruturado por camadas
Maciças de certeza.

E todo o meu corpo
Foi como ouro sólido,
Reflectindo com vaidade
O seu brilho.

Não me consigo exprimir.

A fogueira adormece.
Os cravos confundem-se
Na escuridão da noite.
A sombra abandona-me
E o grito desaparece
Ao longe, com o vulto
Que sou…

sábado, 11 de julho de 2009

É noite.



É noite,
É tarde.
As luzes da rua
Iluminam-me,
Trazem a certeza
Das horas nos olhos
E o esplendor da solidão
Nas pernas.

É noite
E está tarde,
Talvez também para ela
Que oscila entre
A luz dos candeeiros
Inglórios da cidade
E a escuridão das
Suas ruas despistadas.

Se tivesse um caderno
Possuía-a por trás
Ali mesmo.

Mas o caderno não veio,
A poesia não verte e,
Só porque é noite
E está tarde,
A razão sem verdade
Deste encontro
Rumará efémera
Comigo até casa,
Onde estendida
Sobre os lençóis da cama,
Sairá derrotada
Quando, no clímax
Da sua covardia,
Remoer na sombra
Do que poderia ter sido
Uma noite interessante…

segunda-feira, 22 de junho de 2009


Mostra-me,
Satisfaz-me.
Quero sentir
O cheiro
E a humidade
Do teu sigilo.
O não poder
Excita-me,
Num jogo impudico
Onde tu sais
Sempre a ganhar…
Danças...
Com as mãos
Acaricias os seios
E com as ancas
Projectas erotismo.
Aproximas-te,
Ensaboando
Teu traje menor
Entre pernas.
Amordaças-me
Com ele.
Sou o maníaco
Sem nome
Da cadeira
De madeira.
Aquele que se
Preenche com
Aromas impróprios
De uma serventia perversa.
Delicio-me com
As tuas cuecas,
Fazem-me cócegas
No céu da boca.
Apagas o que resta
Da realidade
Enclausurando
Com a boca
Toda a minha virilidade.
Possessa.
Estás possessa…
Saltas-lhe para cima
Num soar de uivos
Mais audíveis do que os
De uma alcateia faminta.
E fazes de mim
Um baloiço
Que te açoita a
Ânsia.
Oscilas como
Se a noite acabasse
Antes do término
Do teu fôlego.
Nas costas
Sinto o escorrer
Do sangue.
São feridas reabertas
Pelas tuas garras
E sinónimo do prazer
Que te aplico.
Nunca sararam.
Nunca irão sarar.
Talvez no inferno
Queimem…
Num fogo que
Deixará os nossos
Corpos negros.
Num lugar
Onde nos alimentaremos
Um do outro,
Sem almas
Ou inteligência
Ou foices de
Vozes alheias
Que lhes saqueiem
O apetite.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Marionetas


Tremem como valas
Repletas de corpos feridos.
Gritando na cratera
De um veneno vivo,
Os últimos suspiros
De um som abafado
Pela virilidade
Das balas.

Ao longe,
Os batalhões continentes.
Circulando como cifras,
Gotejando como torneiras,
Paralisados como mártires
Vomitados pela História.

No covil,
Supremos comandam
Corpos reais
Como actores que presenteiam
Plateias nos teatros,
Com espectáculos de marionetas.

Fumo,
Muito fumo.
Medo,
Bastante medo.
E tecnologia,
Imensa tecnologia.

E os bonecos
Já não são de madeira,
Nem suportados por fios.
E aplausos são arrancados
Como crostas de uma matéria
Cada vez mais real…

quarta-feira, 17 de junho de 2009

A Porta do Surrealismo.

video

Curta Metragem no ambito da disciplina de Escrita Audiovisual do curso Comunicação Social e Educação Multimédia 1ºAno Pós-Laboral, Leiria.

quinta-feira, 4 de junho de 2009




Sopros de abandono.

Frívolos, reais, vulgares.

Sagacidades inóspitas

Num leito voraz, atroz, uno…

Desaguam no silêncio de

um tornado abandonado

Vozes berrantes de uma

certeza incerta.

Uma ferida aberta

que sangra fechada

debaixo da capa de um livro.

Um assunto abafado

por sombras de uma agonia

estranha de si própria.

Cordas que me atam,

mordazes como um relâmpago

inócuo que abafa a história

de uma árvore, impedindo-a de

envelhecer na solidão de um campo usado.

Perco-me num indecoroso galopar

De desprovidas displicências.

Na cicatriz que me dói

Pela saudade de nada sentir.

De esconder sem entender os

Erros calculistas de uma infrutífera rédea

pousada no dorso da vida, que me repara

Sem que eu a veja.

Queimo o meu corpo

no vazio da tua ausência

só para ver o oxigénio

Lutar como eu luto,

Coabitar como eu habito,

E esgotando-se como se dilacera

uma mácula vestida de rudimentares rostos

remanescentes em resquícios rudes.

Oh ninfa de um cosmos

para lá do verosimilhante!

Mostrai-me os coriscos

da bem-aventurança,

Extinga todos os redundantes

enganos da semelhança

E não sejais ímpar e

transparentemente pleonástica,

No cognome do ortónimo existencial,

Que é a Vida.



Pedro Rodrigues em parceria com Diogo Rodrigues.





sexta-feira, 8 de maio de 2009


Trazes uma pergunta
Na boca e na boca
Uma pergunta de resposta.
Falando do que não sabes
Pensas que sabes algo
Num sobe que desce
Para o lado e
Perdes-te no meio
De nenhuma parte.
Se não dissesses nada
Talvez tudo fosse
Mais simples,
De um possivelmente
Calmo e sereno momento
Vencido pela comodidade.
Continua falando,
Pois no meio do teu erro
Talvez até tenhas razão…

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Estou?


Estou de estar,
Apenas entre
O que sei estar.
Bebo metade de um café
E fumo meio cigarro
Na meação de uma esplanada.
Abro o jornal.
Vejo texto
Ou vejo imagem.
Fecho-o,
Também não estava inteiro.
Olho para lado nenhum
Certo de que olho para algum lado.
Penso só para enganar o pensamento.
E tudo tem uma razão
Na fracção da minha pessoa.
Se não tivesse talvez
Eu fosse inteiro.
E a pessoa verdadeira
E o seu redor uma certeza
E essa certeza uma inutilidade…

segunda-feira, 9 de março de 2009

Narro na penúria


Narro na penúria
De uma dúvida eterna
Letras de um círculo
Sem interior.
Uma folha em branco.
Enforco-me em concepções.
O que é o amor?
Acendo mais um cigarro,
Enquanto me nauseio
À janela.
As noites são sempre iguais
Na minha janela.
Na nossa janela…
Reflexos escurecidos
Dos mesmos dias banais,
Esquecidos pela cegueira
Da ilusão temporal.
Assomo-me à varanda.
Vomito da mesma rotina,
Escorregando no tédio
Do meu nojo.
Levanto-me.
Afinal hoje até foi diferente…

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


Entrei.
Agarrei-te e consumi-te.
Deixas-te.
Hoje,
Amanhã,
Sempre.
Porque sabes
Que a cada vez que me vou,
Mais de ti fico.
Porque sabes que
Não sou de mais ninguém
Senão não do meu egoísmo.
Porque sabes que sou
Quem sou,
Que não finjo…
A tua consciência de mim
Afasta-te de quem és.
Escravizo-te.
Permites…
A tua insegurança
Vende-te.
Compro-te com
A minha certeza.
Não te quero amar.
Não te vou amar.
Dás-te…
Cuspindo em mim
O fogo da tua carne.
Queimando com os olhos
A exactidão da minha ausência.
Cobrindo com o corpo
A voz da única verdade.
Dás-te…
Enrolas-te no vazio
Da minha forma.
Gemes no silêncio
Da tua fantasia.
Arruínas-te, no centro
Do teu masoquismo.
Amas-me.
Porque a minha rejeição
Te confunde.
Porque a minha presença
Te preenche.
Porque a minha superioridade
Te atinge.
Enlouqueces.
Porque sabes, afinal,
Que jamais serei de ti…

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009


E se pudesses traduzir
O que a tua alma fala?
Sem pudor…
Sem gestos…
Apenas deixando sair a sensação
Através das letras…
Se te pudesses escrever…
Contar a todos quem
Realmente és…
Achas que te compreendiam
Melhor do que até onde
Alcançam no teu olhar?...
Não podes?
Não queres?
Não consegues?...
E se eu te dissesse
Que poderia ser as tuas mãos?
Que nem sempre temos
De ser perfeitos…
Que não precisamos de
Abrigar todas as capacidades
Para sermos derradeiros vencedores…
No fim de contas,
E se assim fosse,
Não precisaríamos de amor…
E se eu te disser que te quero saber?
Que trago em mim a vontade
De te gritar ao Universo…
Que te amo!...
Achas que desse modo
Partilharias um pouco
Do teu espaço?
E se te dissesse que já te sei…
Que te soube nas primeiras
Palavras que trocámos,
Nos primeiros olhares que fizemos,
Nos primeiros pensamentos que construímos…
Será que mesmo assim arriscarias?...
Sinto-te um sim maior
Do que o infinito…
Afinal,
Nunca chegámos a juntar os lábios
Para cumprir a chama de todo o nosso desejo…

domingo, 11 de janeiro de 2009


Diminuto.
Elevei-me tão alto quanto a minha loucura
Para respirar o vento anónimo
Da tua presença.
E girei…
Numa realidade
Sem conclusão.
Dissolvendo o meu coração
Em verdade de dor
Só para sentir o sabor
Do teu saber.
Imprudente.
Lúcido.
Apaixonado.
Fiz das nuvens o nosso lençol
E lá, nos amámos.
Iluminados por um sol
Apenas de nós.
Num sítio onde as possibilidades
Se enraizavam no céu
E as dúvidas se perdiam
Nas asas de uma gaivota.
Agarrei-te a mão.
Amedrontaste-te.
Olhei de frente o escuro
De todo o Universo
E prossegui.
Foi quando soube,
Ao redor de uma ânsia
Para te contemplar,
Que não te senti.
Remexi as estrelas,
Roguei pragas
Em todos os campos gravitacionais.
Nada de ti ou quaisquer sinais.
Inconformado, percorri galáxias
E vasculhei cometas.
Revistei asteróides
E procurei-te em milhões
De planetas.
Nada…
Fracassara,
Perdera-te!
Foi quando em mim surgiu
Toda uma força que gritara:
- O que é o amor, afinal?!
Não apareceste.
Nunca mais apareceste.
Mas eu quero acreditar…
Acreditar que um dia o eco
Retorne, revelando
O local onde te escondes.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Pecado.


Suo…
Inspiro e expiro novamente.
Flutuo…
No pecado da minha mente.
Grito.
Esmurro.
Serpenteio pelas mortalhas
Da minha cama.
Aflito.
Apresso-me… Depuro,
Todo o meu inconsciente acordando.
Suspiro.
Rebolo.
Adormeço.
E desse modo venço,
Num lugar onde sou a lei…