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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Não me consigo exprimir


Não me consigo exprimir.

O meu coração é um jardim
Onde rosas choram lágrimas
De vidro que ferem espinhos.

A minha mente, uma cratera
Onde o vento impera
Cantando na solidão
De uma destruição concretizada.

E todo o meu corpo
É como prata fundida,
Reflectindo o céu.

Sento-me,
Inclino-me
E deixo que a
Minha sombra
Se espalhe pelo chão
De um campo de
Cravos negros.

Clamo.
Não sei porquê,
Não sei de quê.
Talvez apenas
Porque o que me consome
Por dentro queira sair.
Porque o que me fere,
Deseje acabar de arder
Em território neutro.

Porque o meu coração foi um jardim
Onde rosas se protegiam
Das lágrimas, com espinhos.

A minha mente,
Um bloco de conhecimento
Estruturado por camadas
Maciças de certeza.

E todo o meu corpo
Foi como ouro sólido,
Reflectindo com vaidade
O seu brilho.

Não me consigo exprimir.

A fogueira adormece.
Os cravos confundem-se
Na escuridão da noite.
A sombra abandona-me
E o grito desaparece
Ao longe, com o vulto
Que sou…

5 comentários:

Cristiana disse...

Não é fácil transmitir para o papel o que nos vai na alma...mas não digas que não te consegues exprimir!!! Pois o que escreves é lindo, sentido. Por vezes puro e por vezes, muito muito excitante!!!

PEDRO PINA disse...

Pedro, ...nao consigo comentar as tuas palavras, mas sei dizer o kto são belas...

um abraço

Úrsula Avner disse...

Caro Pedro sua poesia é de um profundo e bonito lirismo. O eu-lírico mergulha profusamente nos versos que suas mãos e alma compuseram. Voltarei mais vezes para conhecer melhor seu trabalho. Obrigada pela visita e interesse em acompanhar o Sempre poesia. Meu carinho.

Ira Buscacio disse...

Olá Pedro,

Adorei o sítio onde moras!
Onde se pode observar as infinitas plantações, que brotam desse chão repleto de paixão. Parabéns!
Um forte abraço

Flavio Dutra disse...

Rapaz, senti um arrepio quando li isso. Me tocou a alma. E se o ideal do poeta é encontrar eco na alma do leitor, tenha certeza de que o consegues, deixando-nos até um sentimento de gratidão, como se expressasse por nós o que gostaríamos de dizer e não conseguimos.