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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O último encontro.


Sinto-me frágil. Não é fácil escrevermos quando estamos frágeis. Apenas o eco das tuas palavras na minha cabeça. Apenas a ressonância que te neguei naquele cerrado mês de Agosto, quando pensando que já te tinha esquecido, me fizeste perder novamente de mim com as tuas dúvidas ternas e a tua confiança acutilante.


Estavas sentada numa cadeira, olhando-me nos olhos e te distanciando deles. Num estar de corpo presente, num estar de querer somente confirmar quem de nós dois era o mais confiante. Talvez fosses tu. Talvez sejas sempre. Sempre pequei por pensar em demasia…

«Ouvi dizer que os escritores passam por um período difícil quando sofrem por amor», disseste, em tons do que me pareceu ser orgulho.


«Não sei… Mentiria se não te dissesse que tive um pequeno bloqueio após nos separarmos, mas foi efémero e saudável pois catapultou-me para outra realidade, ajudando-me a construir coisas novas e diferentes.» Respondi, completamente ciente de que nada daquilo era verdade, uma verdade que só era tangível na profundidade de mim mesmo, onde a mente perde o controlo dos sentidos e a apatia nos engole a alma.


Sim, os escritores ficam paralisados quando sofrem por amor. E ficam amedrontados pelo futuro enquanto aguardam sem vontade por ele, escondidos num lugar onde o mundo se esvai em cinzas antes do fogo ter mostrado a sua ira. Sim, os escritores revivem o passado, dentro de si próprios, de hora a hora, cronometrados por um relógio cruel chamado de saudade. Sim, eles sofrem e choram o seu sofrimento. Eles camuflam-se na escuridão da noite, fiéis à convicção de que desse modo, a sua tristeza não será vista.


Eles passam por aquilo a que tu chamaste de "período difícil" e que eu, como escritor do meu próprio destino, não tive a bravura necessária para o admitir…

7 comentários:

Jacque disse...

Os escritores sofrem quando amam, pois leem aquilo que escrevem e veem a própria alma, ali, jogada no papel. Não há como não sofrer. Teus texto é belíssimo, parabéns.

beijo,


Jacque

Adriano Narciso disse...

grande texto pedro! Revi-me quando o li xD

Cristiana disse...

Muito lindo.... e afinal...ainda não te passou....

Francisco disse...

Amigo, companheiro, camarada: "escritor do meu próprio destino". Fantástico. Como diria uma certa infame personagem: "Criaste um belo metatexto", que é como quem diz: "Escreves bem comó catano".

Ana Luiza Verzola disse...

Mais do que palavras arremessadas no desabafo da alma, a própria vivência. As dores em cada frase, o dramático e belo texto que fez com que eu me identificasse e continuasse a leitura. Parabéns!

mpx disse...

mto bem escrito.
Aquele abraço

Ira Buscacio disse...

.Que beleza, Pedro.

Posso sentir toda melancolia derramada em suas palavras.
Escrevemos pelo que sofremos e sofremos duas vzs mais pelo que escrevemos. Parabéns, amigo.

Bjão