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quarta-feira, 17 de junho de 2009

A Porta do Surrealismo.

Curta Metragem no ambito da disciplina de Escrita Audiovisual do curso Comunicação Social e Educação Multimédia 1ºAno Pós-Laboral, Leiria.

quinta-feira, 4 de junho de 2009




Sopros de abandono.

Frívolos, reais, vulgares.

Sagacidades inóspitas

Num leito voraz, atroz, uno…

Desaguam no silêncio de

um tornado abandonado

Vozes berrantes de uma

certeza incerta.

Uma ferida aberta

que sangra fechada

debaixo da capa de um livro.

Um assunto abafado

por sombras de uma agonia

estranha de si própria.

Cordas que me atam,

mordazes como um relâmpago

inócuo que abafa a história

de uma árvore, impedindo-a de

envelhecer na solidão de um campo usado.

Perco-me num indecoroso galopar

De desprovidas displicências.

Na cicatriz que me dói

Pela saudade de nada sentir.

De esconder sem entender os

Erros calculistas de uma infrutífera rédea

pousada no dorso da vida, que me repara

Sem que eu a veja.

Queimo o meu corpo

no vazio da tua ausência

só para ver o oxigénio

Lutar como eu luto,

Coabitar como eu habito,

E esgotando-se como se dilacera

uma mácula vestida de rudimentares rostos

remanescentes em resquícios rudes.

Oh ninfa de um cosmos

para lá do verosimilhante!

Mostrai-me os coriscos

da bem-aventurança,

Extinga todos os redundantes

enganos da semelhança

E não sejais ímpar e

transparentemente pleonástica,

No cognome do ortónimo existencial,

Que é a Vida.



Pedro Rodrigues em parceria com Diogo Rodrigues.





sexta-feira, 8 de maio de 2009


Trazes uma pergunta
Na boca e na boca
Uma pergunta de resposta.
Falando do que não sabes
Pensas que sabes algo
Num sobe que desce
Para o lado e
Perdes-te no meio
De nenhuma parte.
Se não dissesses nada
Talvez tudo fosse
Mais simples,
De um possivelmente
Calmo e sereno momento
Vencido pela comodidade.
Continua falando,
Pois no meio do teu erro
Talvez até tenhas razão…

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Estou?


Estou de estar,
Apenas entre
O que sei estar.
Bebo metade de um café
E fumo meio cigarro
Na meação de uma esplanada.
Abro o jornal.
Vejo texto
Ou vejo imagem.
Fecho-o,
Também não estava inteiro.
Olho para lado nenhum
Certo de que olho para algum lado.
Penso só para enganar o pensamento.
E tudo tem uma razão
Na fracção da minha pessoa.
Se não tivesse talvez
Eu fosse inteiro.
E a pessoa verdadeira
E o seu redor uma certeza
E essa certeza uma inutilidade…

segunda-feira, 9 de março de 2009

Narro na penúria


Narro na penúria
De uma dúvida eterna
Letras de um círculo
Sem interior.
Uma folha em branco.
Enforco-me em concepções.
O que é o amor?
Acendo mais um cigarro,
Enquanto me nauseio
À janela.
As noites são sempre iguais
Na minha janela.
Na nossa janela…
Reflexos escurecidos
Dos mesmos dias banais,
Esquecidos pela cegueira
Da ilusão temporal.
Assomo-me à varanda.
Vomito da mesma rotina,
Escorregando no tédio
Do meu nojo.
Levanto-me.
Afinal hoje até foi diferente…

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


Entrei.
Agarrei-te e consumi-te.
Deixas-te.
Hoje,
Amanhã,
Sempre.
Porque sabes
Que a cada vez que me vou,
Mais de ti fico.
Porque sabes que
Não sou de mais ninguém
Senão não do meu egoísmo.
Porque sabes que sou
Quem sou,
Que não finjo…
A tua consciência de mim
Afasta-te de quem és.
Escravizo-te.
Permites…
A tua insegurança
Vende-te.
Compro-te com
A minha certeza.
Não te quero amar.
Não te vou amar.
Dás-te…
Cuspindo em mim
O fogo da tua carne.
Queimando com os olhos
A exactidão da minha ausência.
Cobrindo com o corpo
A voz da única verdade.
Dás-te…
Enrolas-te no vazio
Da minha forma.
Gemes no silêncio
Da tua fantasia.
Arruínas-te, no centro
Do teu masoquismo.
Amas-me.
Porque a minha rejeição
Te confunde.
Porque a minha presença
Te preenche.
Porque a minha superioridade
Te atinge.
Enlouqueces.
Porque sabes, afinal,
Que jamais serei de ti…

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009


E se pudesses traduzir
O que a tua alma fala?
Sem pudor…
Sem gestos…
Apenas deixando sair a sensação
Através das letras…
Se te pudesses escrever…
Contar a todos quem
Realmente és…
Achas que te compreendiam
Melhor do que até onde
Alcançam no teu olhar?...
Não podes?
Não queres?
Não consegues?...
E se eu te dissesse
Que poderia ser as tuas mãos?
Que nem sempre temos
De ser perfeitos…
Que não precisamos de
Abrigar todas as capacidades
Para sermos derradeiros vencedores…
No fim de contas,
E se assim fosse,
Não precisaríamos de amor…
E se eu te disser que te quero saber?
Que trago em mim a vontade
De te gritar ao Universo…
Que te amo!...
Achas que desse modo
Partilharias um pouco
Do teu espaço?
E se te dissesse que já te sei…
Que te soube nas primeiras
Palavras que trocámos,
Nos primeiros olhares que fizemos,
Nos primeiros pensamentos que construímos…
Será que mesmo assim arriscarias?...
Sinto-te um sim maior
Do que o infinito…
Afinal,
Nunca chegámos a juntar os lábios
Para cumprir a chama de todo o nosso desejo…