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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


Entrei.
Agarrei-te e consumi-te.
Deixas-te.
Hoje,
Amanhã,
Sempre.
Porque sabes
Que a cada vez que me vou,
Mais de ti fico.
Porque sabes que
Não sou de mais ninguém
Senão não do meu egoísmo.
Porque sabes que sou
Quem sou,
Que não finjo…
A tua consciência de mim
Afasta-te de quem és.
Escravizo-te.
Permites…
A tua insegurança
Vende-te.
Compro-te com
A minha certeza.
Não te quero amar.
Não te vou amar.
Dás-te…
Cuspindo em mim
O fogo da tua carne.
Queimando com os olhos
A exactidão da minha ausência.
Cobrindo com o corpo
A voz da única verdade.
Dás-te…
Enrolas-te no vazio
Da minha forma.
Gemes no silêncio
Da tua fantasia.
Arruínas-te, no centro
Do teu masoquismo.
Amas-me.
Porque a minha rejeição
Te confunde.
Porque a minha presença
Te preenche.
Porque a minha superioridade
Te atinge.
Enlouqueces.
Porque sabes, afinal,
Que jamais serei de ti…

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009


E se pudesses traduzir
O que a tua alma fala?
Sem pudor…
Sem gestos…
Apenas deixando sair a sensação
Através das letras…
Se te pudesses escrever…
Contar a todos quem
Realmente és…
Achas que te compreendiam
Melhor do que até onde
Alcançam no teu olhar?...
Não podes?
Não queres?
Não consegues?...
E se eu te dissesse
Que poderia ser as tuas mãos?
Que nem sempre temos
De ser perfeitos…
Que não precisamos de
Abrigar todas as capacidades
Para sermos derradeiros vencedores…
No fim de contas,
E se assim fosse,
Não precisaríamos de amor…
E se eu te disser que te quero saber?
Que trago em mim a vontade
De te gritar ao Universo…
Que te amo!...
Achas que desse modo
Partilharias um pouco
Do teu espaço?
E se te dissesse que já te sei…
Que te soube nas primeiras
Palavras que trocámos,
Nos primeiros olhares que fizemos,
Nos primeiros pensamentos que construímos…
Será que mesmo assim arriscarias?...
Sinto-te um sim maior
Do que o infinito…
Afinal,
Nunca chegámos a juntar os lábios
Para cumprir a chama de todo o nosso desejo…

domingo, 11 de janeiro de 2009


Diminuto.
Elevei-me tão alto quanto a minha loucura
Para respirar o vento anónimo
Da tua presença.
E girei…
Numa realidade
Sem conclusão.
Dissolvendo o meu coração
Em verdade de dor
Só para sentir o sabor
Do teu saber.
Imprudente.
Lúcido.
Apaixonado.
Fiz das nuvens o nosso lençol
E lá, nos amámos.
Iluminados por um sol
Apenas de nós.
Num sítio onde as possibilidades
Se enraizavam no céu
E as dúvidas se perdiam
Nas asas de uma gaivota.
Agarrei-te a mão.
Amedrontaste-te.
Olhei de frente o escuro
De todo o Universo
E prossegui.
Foi quando soube,
Ao redor de uma ânsia
Para te contemplar,
Que não te senti.
Remexi as estrelas,
Roguei pragas
Em todos os campos gravitacionais.
Nada de ti ou quaisquer sinais.
Inconformado, percorri galáxias
E vasculhei cometas.
Revistei asteróides
E procurei-te em milhões
De planetas.
Nada…
Fracassara,
Perdera-te!
Foi quando em mim surgiu
Toda uma força que gritara:
- O que é o amor, afinal?!
Não apareceste.
Nunca mais apareceste.
Mas eu quero acreditar…
Acreditar que um dia o eco
Retorne, revelando
O local onde te escondes.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Pecado.


Suo…
Inspiro e expiro novamente.
Flutuo…
No pecado da minha mente.
Grito.
Esmurro.
Serpenteio pelas mortalhas
Da minha cama.
Aflito.
Apresso-me… Depuro,
Todo o meu inconsciente acordando.
Suspiro.
Rebolo.
Adormeço.
E desse modo venço,
Num lugar onde sou a lei…

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

- Para onde Senhor?!
Para onde irei se não tenho casa…
Se não tenho família…
Se não me tenho a mim próprio…
Se trago apenas esta loucura
Dentro de mim!
Sim…
Para onde?

Para a Terra...
Onde todos são,
Não sendo iguais
À loucura de que te fazes,
Semelhantes à demência
Que desconheces.





domingo, 28 de dezembro de 2008

Rastejas.


Rastejas…
Observo-te.
Rojas o chão
Porque nele deixei,
Perdida, uma nota.
Decifras-lhe o significado.
E toda a semântica,
Em ti, se traduz em números.
Fico mais um pouco.
O tempo suficiente
Para te ver o brilho nos olhos.
As carícias que evocas
No papel.
Puras… Sentidas…
Guarda-la.
Sobe mais alto
Que a minha altura,
O sarcasmo que esse acto
Me provoca.
Atiro outra.
Tu apanha-la,
Vorazmente.
Mais uma…
Chove-te felicidade
Na expressão.
E outra...
Não te levantas.
Jamais te levantarás…
Porque o peso
Que trazes na mente
Jamais se comparará
À leveza de todo o
Meu corpo.
Cuspo-te mais uns cifrões…
Vens-te!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Perco-me em ti.


Perco-me em ti.
Que estranha forma de perdição.
E digitando impressões
No trilho da tua presença,
Assinalo a minha marca.
Consomes-me.
Ouço a tua saliva
Dizendo que me deseja.
Sinto-te o tremor nas fibras
E consciencializo-me da tua ânsia.
O teu perfume
Segreda a tua vontade
De me agradar.
O meu olhar…
Um prado de sedução
Que te satisfaz.
Uma sensação de,
Inépcia à fuga.
Tu, gostas.
Perdemo-nos os dois…